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O PORTO DE OITOCENTOS

O PORTO DE OITOCENTOS

Abril 22, 2019

Visita ao Porto (2)

«Os nossos primeiros monumentos, os primeiros monumentos de toda a Cristandade - costumam ser os templos; esboçarei pois o que há de notável a tal respeito na cidade do Porto - não gastarei muito tempo, porque há pouco a admirar.

 

Quis começar pela Sé - esse histórico solio dos bispos semi-reis. Ainda outra vez me lembrarei do Sr. Garret, e pedi que me guiassem à Catedral pelo arco de Santana; fizeram-me a vontade, dirigiram-me por um enlameado beco, - disseram-se - Era aqui... mas o arco já não o encontrei, havia-lhe passado por cima o nível da civilização. - Vi, porém, aquelas duas janelinhas de que fala o poeta - pareceu-me que distinguia a Aninhas e a Gertrudinhas, atando o fio da conversação no ponto em que o autor as abandonara. Poder do Génio, que dá vida a uma sombra! O que eu senti naquele lugar - poucos o compreendem... nem isso é preciso.

 

Colocada em um pequeno largo, cercada de becos, mal se pode gozar a sua perspectiva, a tosca mas proveta fachada do castelo episcopal. O interior está bastante danificado, há porém aí dois objetos dignos de notar-se. A capela de prata, obra custosa pela matéria e mais ainda pelo lavor - cujo fundador ninguém me soube indicar, mas que me pareceu não ser anterior ao século XVI - e um quadro da Virgem, que os cónegos me asseguraram ser original de Rafael: - não suponho tal, com quanto o rosto da Senhora tenha desses divinos traços que caracterizam as Madônas daquele sublime pintor. É talvez apenas uma cópia. Também disseram que o duque de Wellington oferecera por ele dois contos de réis; e que mais recentemente o duque de Palmela, oferecera o mesmo preço e uma cópia para ficar em seu lugar. Não faço mais do que repetir o que me contaram diante de testemunhas.

 

Ao lado da catedral está o Paço do Bispo - gigantesco edifício incompleto, e arruinado pelas bombas do tempo do cerco: não entraremos lá, limitar-nos-emos a ver a escada. Oh! a escada do Bispo é o orgulho dos portuenses. Apenas chegardes à cidade Eterna, encontrareis cem pessoas a perguntar-vos - Já foi ver a escada do Bispo? - E é necessário ir lá depressa, para salvar os ouvidos de repetidas e minuciosas descrições. Que me desculpem desta ferroada os senhores portuenses - bastante mel lhes tenho dado pelos lábios - e, o que é mais, simpatizo com eles deveras. Ora a escada é grande, espaçosa, clara, e coberta por um tecto elevado e elegante: foi renovada pelo actual bispo D. Jerónimo, - mas não tem nada que encante: ao contrário no vestíbulo tem quatro objetos colocados simetricamente que desencantam....

 

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... pedi que me guiassem à Catedral pelo arco de Santana; fizeram-me a vontade, dirigiram-me por um enlameado beco, - disseram-se - Era aqui... mas o arco já não o encontrei ...

 

Continuemos a revista aos templos. O de S. Francisco contíguo ao convento incendiado pelos miguelistas, passa por ser um dos melhores da cidade, - mas não o pude ver, estava fechado; o exterior posto que irregular, fixa a atenção por alguns momentos. O da Trindade está em reparos, é porém coroado por uma torre piramidal, que - depois da torre dos Clérigos - e o vulto que mais sobressai no horizonte do Porto. Cedofeita e S. Bento, também estão de posse de uma grande nomeada, - porém eu é que não tenho tempo nem paciência para entrar em miudezas. Espaçosos são também S. Ildefonso, e S. António; visitado por antigo o S. Pedro de Miragaia, - nada todavia prendeu nesses lugares santos a atenção do viajante - a não ser a lembrança de Deus. No convento de S. Bento das Freiras em que eu me demorei algumas horas, porque casualmente entrei ali na ocasião em que se tratava da eleição da Abadessa. Foi uma cena nova para mim: o beija-mão dado pela Eleita, as saudações e vivas da comunidade e das leigas - os eclesiásticos assistindo ao processo eleitoral - tudo aquilo semelhava tanto um quadro de política, que - confesso - pareceu-me uma profanação na Casa do Senhor!... Loucura minha!

 

Quanto à arquitetura, nenhuma frontaria me pareceu tão bela, como a do convento do Carmo. Concluiremos esta resenha na Lapa. Ahi está o coração de D. Pedro, - posto que o sarcófago não seja condigno ao objeto que encerra, - é impossível levantar dele os olhos! Corações como o desse homem - verdadeiramente Grande - não pulsam em muitos peitos!... Pudesse ele volver novamente à vida - e ainda seriamos salvos!...

 

Junto à igreja da Lapa, há o cemitério particular da Irmandade, que também serve de jazigo a homens célebres. Entre avultado número de monumentos funerários, achei três lápides que recordam nomes distintos em letras, armas, e virtudes - José Ferreira Borges, coronel Pacheco, e o bispo D. Manuel de Santa Inês. Há na cidade um grande cemitério público, que só tinha quando eu o visitei cinco monumentos; porém é ornado de uma bonita capela, um tanque e árvores adequadas. O povo tantas vezes poeta em sua linguagem singela, chama-lhe geralmente - Campo de repoiso!

 

Poucas cidades possuem como o Porto, tantos hospícios e em tão perfeito estado. O hospital da Misericórdia, que está em construção, se chegasse a concluir-se seria suficiente para as três províncias do norte; - o fora bastante para asilo de todos os feridos da batalha de Waterloo, ou de Moskwa.

 

No largo de S. Lázaro (aonde há um jardim público) está o edifício da Biblioteca, galeria de pinturas, e museu. A Biblioteca, está perfeitamente colocada, tem extensões salões, muito claros e arejados, e em muita boa ordem. Disseram-me que ao Sr. Herculano se deve em grande parte a organização daquele estabelecimento. Outra recordação de D. Pedro se encontra no Museu - é o óculo e o chapéu de que usou durante o cerco.

 

O campo de Santo Ovídio, chamado hoje da Regeneração, é uma bela praça assombrada de arvoredo, aonde se vê a fachada de um imenso quartel de tropa, que fecha uma quadra de quase igual tamanho; - fica-lhe perto o Passeio da Lapa, donde se goza uma bela vista - principalmente para a parte do oceano; - e mais acima um telégrafo - excelente ponto de observação.

 

Há na cidade duas assembleias de recreio - a Portuense - e a Filarmónica. E uma comercial. O corpo mercantil do Porto é perfeitamente unido, e por isso mesmo muito respeitado; tem-se dedicado a mais sérios trabalhos do que o de Lisboa. A última prova desta asserção e bem saliente, é o majestoso edifício da praça nova do comércio que à sua custa está levantando.

 

Há também no Porto um Banco Comercial, e Caixas Filiais do de Lisboa - ou seja de Portugal, - e da União Comercial.

 

Agora o que é espantoso, é que em uma cidade de tanto tráfego mercantil como o Porto - esteja a alfândega colocada em armazéns particulares... mas isso não é culpa dos comerciantes, é do Governo.

 

- O que me resta ver na cidade?

- O largo da Cordoaria - a Politécnica - a Relação.

- Vamos lá... oh! cá estamos, não é difícil adivinhar que chegamos à Cordoaria, vendo tantos cordoeiros a trabalhar em volta da praça.

 

O edifício da Escola Politécnica é grandioso, mas falta concluí-lo - como quasi tudo nosso.

 

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O hospital da Misericórdia, que está em construção, se chegasse a concluir-se seria suficiente para as três províncias do norte...

 

E a Relação... sempre ouvi dizer que é um palácio magnífico. - Quê! pois é aquela massa de pedras enegrecidas meio oculta por esse barracão de madeira? Acerquemo-nos. Com efeito estava própria para uma jaula de feras, a tal Cadeia da Relação, - mas para detenção de homens, e de homens não condenados... é horrível. Creio que morreria se me obrigassem a transpor os umbrais dessa porta... e todavia, homens colocados muito acima de mim na escala do mundo, aí jazeram encerrados meses, anos, - alguns, só daí saíram para o patíbulo! O edifício é triangular como uma forca - talvez fosse um pensamento emblemático do arquiteto, ou de quem lhe encomendou a obra. Fujamos deste lugar de ominosa recordação.

 

- Vamos à Foz?

- Hoje não - amanhã, que é Domingo - e adeus. Enquanto eu tomo alento descansado, por tornar ao trabalho mais folgado.»

 

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«Alvoreceu o tal domingo destinado para o passeio à Foz, mas escuro e chuvoso; assim mesmo não se desperdiçou, porque o tempo que me restava era pouco, e estava detalhado para outras visitas. Metemo-nos - eu e o meu obsequioso amigo C. Junior - em uma carruagem, e tratamos para a Foz. Há dous géneros de carruagens de aluguer no Porto; umas - com a que nos conduziu - convexas pela dianteira, e côncavas pela traseira, com assentos para quatro pessoas mas podendo só acomodar duas à vontade; são tiradas por dous seguros cavalos; outras igualmente côncavas por trás e por diante, e puxadas por uma ou mais juntas de bois. Tanto estas como aquelas, sobem e descem apertadas ladeiras, que parecem de impossível trânsito para um cavalo solto ou um boi.

 

Chegamos à Foz; tratamos de almoçar - na estalagem de um tal Silvestre, parece-me que foi. Pedimos bifes, trazem-nos carne de vaca presa a um sofrível osso: - saborosa estava ela, na verdade, mas não me parecia o que tínhamos exigido da arte culinária de mestre Silvestre. Fiz a minha observação em termos moderados - estava enganado, chamava-se àquilo bifes. Modifiquei pois as minhas ideias a tal respeito. Reguei o chamado bife com um copo de vinho do Porto - o melhor vinho do mundo inquestionavelmente, digam o que quiserem os cegos adoradores de Champagne, Borgonha, Xerez, e até de Madeira... estão em minoria; como ia dizendo tomei o meu copete, e a tal respeito registrarei aqui um sublime pensamento meu: quem bebe vinho ao jantar, deve igualmente chuchar a sua pinga ao almoço, porque o estômago não conhece essa diferença de horas de comida, e tanto carece em uma como em outra ocasião - ou nunca carece - do sumo da cepa. Isto assente - vamos à praia ver banhar as senhoritas.

 

Infelizmente poucas encontrei entre os penedos da Foz, por causa da chuva; o que não me pareceu razoável, pois que quem ia molhar-se ao mar, pouco se lhe devia dar de ser também orvalhado em terra. Esta minha mania de fazer reflexões a tudo, talvez comece a incomodar os leitores, se é que já os não desgosta há muito. Sem medo ao mau tempo, subimos até ao farol da Luz, dali descortinamos no oceâno vários navios que demandavam a costa, entre eles o vapor Falcão. A barra porém estava quasi tomada, o Douro crescia com a chuva que se despenhava das montanhas, e o mar rebentava furioso sobre o Cabedelo e por entre os penedos. Assim mesmo o vapor entrou; os navios de vela não, - fora temeridade. Era majestoso esse espetáculo!

 

O meu companheiro de passeio, a quem eu incomodava continuamente com perguntas, algumas delas talvez desarrasoadas, contou-me na volta para a praia uma história recente, que eu apreciei no devido valor, porque já comigo se passaram idênticos acontecimentos. Era uma escuna inglesa que ancorara fora da barra, que perdera sucessivamente todos os seus ferros, e a quem já apenas segurava um ancorete; - não podia levar-se-lhes socorro, e os coitados esperavam a sua última hora, fazendo-se pedaços contra os cachopos. O meu amigo disse-me que viu então prostradas por terra, de joelhos na praia, no limiar das portas e nos balcões das janelas, muitos desses anjos consoladores a que na terra se chamam mulheres, implorando a clemência do céu para aqueles desgraçados que o mar pretendia arrojar de si, e a que a terra repulsaria igualmente! Os homens também mostravam comover-se, apesar de serem portugueses, e terem por consequência restrita obrigação de odiarem os ingleses - como diz o nosso distinto escritor, o sr. A. Herculano. Ai! houve um grito uníssono de Misericórdia!... Era que rebentara a frágil amarra! - Depois seguiu-se um momento de silêncio mas de um respirar apressado, - sucedeu-lhe o ténue ruído de palavras incompletas - destacadas... arfar de corações e soluços entrecortados... porém ao cabo um grito de alegria - de vitória? O capitão fora corajoso - a mal extremo, remédio extremo! - Perdido aquele último recurso, largou o velacho, aproou à barra, - e Deus permitiu que por sobre novelões de vagas irritadas, ora roçando o abismo com a quilha, ora tocando nas pontas dos penhascos - o mesquinho baixel entrasse a salvamento no Douro. E as mulheres, de joelhos ainda, agradeciam com lágrimas de alegria ao Senhor Deus dos aflitos o milagre que obrara, e criam com fé viva que o Ser Supremo escutara comovido as suas vozes! Ai, pobre de mim, que me meti a romântico!

 

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Chegamos à Foz; tratamos de almoçar...

 

Voltemos ao estilo antigo, que não é pequeno defeito uma tal falta de unidade. E aqui lembro eu às minhas senhoras portuenses o que contou um dos redactores da Carta, não há muito tempo, mas que por ventura já terão olvidado. Foi o caso; uma lisbonense (faço ideia que seria minha patrícia) escreveu àquele redator, participando-lhe que estava tecendo um cordão do seu próprio cabelo (não diz se loiro, negro ou castanho) para lho oferecer como prémio de dizer tanto bem das senhoras na sua crónica semanal. O redator promete retribuir com um soneto. Ora eu não me quero explicar mais... porém lembro que também tenho meu tanto ou quanto de poeta; e se alguma senhora portuense se parecer com a minha compatriota, não hei-de ficar atrás do meu colega.

 

E já que falei de senhoras, cumpre-me declarar aqui o muito que me penhoraram algumas - ou quasi todas - as portuenses, a quem tive o gosto de ser apresentado. Naquele mesmo sítio da Foz, estive - só por momentos... ainda mal! - em muito agradável companhia - em conversação deleitável... não dessas banalidades que por aí se usam. E na cidade - seria bastante para tornar deliciosa a minha residência ali, a sociedade das exmas. sras. de C. - tão amáveis, quanto instruídas. A respeito do trajo, notei que a mantilha, costume meio espanhol, cai caindo em descrédito como o capote e lenço em Lisboa - não tanto como as notas do Banco! - Um e outro uso vão desaparecendo da toilete da classe média. As mulheres da última classe trabalham tanto ou mais do que os homens - não se dedicam a pedir esmola como na Capital; . de tamancos ou descalças cruzam a cidade em todas as direções; vão á fonte buscar água ou carregam qualquer fardo à cabeça; enfim é uma raça laboriosa como os homens de todo o Minho.

 

Voltemos à cidade, que são horas de jantar; não devemos fazer esperar o nosso amigo G*** e a sua interessante família. Rasteando o Douro pelos sítios da Cantareira, Massarelos e Miragaia, viemos recordar o sublime painel que devem apresentar estes lugares, por ocasião de uma cheia; quando o rio transborda do seu leito e alaga as praias de uma e outra margem; que as catraias servem para comunicar de uma para outra casa, e que os navios descançam a quilha nos cais! Como César que chegou, viu e venceu; nós chegamos, comemos, e partimos para o teatro.

 

O largo da Batalha é um dos belos sítios da cidade: está aí o edifício da Casa Pia, ocupado pelas repartições militares, e não sei se por alguma civil também; e separado por uma estreita rua do teatro de S. João. Este, menor, mas pelo mesmo risco do S. Carlos de Lisboa; vê-se e ouve-se ali - o que não acontece em o nosso rico salão do Rossio, e está pintado e doirado com gosto. O exterior é que é ridículo - e nem ao menos tem um vestíbulo. Representava-se nessa noite um drama, cujo título por si só já era repulsante; mas a execução foi muito além! - Externamente me lembrei de um João Baptista, amante dos gelos polares! Mas também não olvidarei os deliciosos momentos que passei em um camarote analisando a peça e os atores, e ouvindo chistosas reflexões de uma senhora espirituosa - encantadora! Saímos do teatro - é necessário dormir algumas horas. Adeus, caríssimos leitores - asta mañana

 

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Originalmente publicado na A Porta Nobre (no blogspot) em 16.06.2016 e 03.07.2016

Abril 15, 2019

Visita ao Porto (1)

Num jornal setembrista de vida efémera denominado A Columna, com tipografia na desaparecida Rua dos Lavadouros, encontrei este interessante escrito da autoria de Francisco Maria Bordalo. O texto foi publicado entre 29 de novembro e 2 de dezembro de 1847. Com esta singela descrição de um lisboeta que pela primeira vez visita a nossa cidade, pretendo dar um pequeno contributo/acrescento aos já vários relatos mais ou menos extensos deste estilo e mais divulgados. Não sigo a divisão que o jornal inicialmente fez, pelas mesmas razões que poderão encontrar no primeiro parágrafo desta publicação de A Porta Nobre.

 

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Francisco Maria Bordalo, escritor e Capitão-tenente da Armada, nasceu em Lisboa em 05.05.1821 e na mesma cidade morreu em 26.05.1861.

 

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«Vou ao Porto - decididamente! Parece mal - ser português, ter mais de vinte e cinco anos, - e não haver visitado a segunda cidade do reino; não ter cruzado o Douro, o pátrio rio de tantos dos nossos poetas; não ter visto - ao menos de longe - o aspecto carrancudo das montanhas do Minho, contrastando singularmente com seus campos sempre esmaltados de verde. Pois vou!

 

Embarco-me no vapor, deixo o meu pátrio Tejo, - vejo sumir-se a Pena, bela coroa da romântica Sintra; à noite enxergo o farol das Berlengas, confundindo a sua luz com a das estrelas; depois durmo, que é uma excelente maneira de encurtar as viagens; e ao romper do dia diviso a Foz, a sua povoação, o seu castelo, e lá por entre montanhas a erguer-se um como cipreste gigante.

- Que ponto é aquele? 

- É a torre dos Clérigos.

- Pois é. Parecia-me um cipreste. Seria um pensamento do arquiteto? Talvez. - Era por ventura um romântico de outro século. Oh! Como eu desejo ver de perto a tal torre.

 

E foi nesse momento de entusiasmo que resolvi escrever as minhas impressões de viagem - como por aí se diz. Bem sei que muitos historiadores, geógrafos, viajantes e touristas, tem dito quanto havia a dizer da cidade Eterna, do rio que lhe banha os pés, dos campos e montanhas que a cercam; - não contarei coisa nova: mas deixarei por isso de ser lido? Não; é que aí estão os artigos de fundo dos jornais a dizer quase sempre ao mesmo, e todavia são muitas vezes recebidos com entusiasmo. - É conforme a disposição de que está o leitor. Talvez que estes meus apontamentos ou apontuados encham as medidas a alguém. E agora, que remédio - prometi escrever - comecei a cumprir a promessa - é concluir. Saia o que sair! Deus queira, ao menos, que esta obrinha não alcance tantas antipatias da parte dos portuenses, como o folhetim intitulado O Porto, que estampou na Revolução de Setembro, o meu amigo e compatriota alfacinha - talentoso mancebo - o Sr. Lopes de MendonçaTambém o homem não estava em si quando escreveu: exagerou a pintura, tanto nos toques do sublime como nos laivos do ridículo... nem perdoou às senhoras!... Pois a essas desde já declaro que pretendo eu agradar; todavia farei a diligência por não mentir mesmo em seu abono - confesso, porém, que tenho medo de mim - sou muito frágil!...

 

Silêncio! - eio!... caluda, que vamos a investir com a barra - e não é ela para graças. O Joaquim Luís e o Turíbio gritam - a bombordo - a estibordo. - E o Cabedelo está aqui agarrado a proa do barco, e o mar rebenta com fúria - parece um lençol de escuma. Bravo! Passamos adiante - mas cá está a maldita Cruz de ferro - Deus me perdoe a heresia!... Heresia, não, porque a chamada Cruz de ferro não é mais do que uma torrezinha de pedra, que teve em outro tempo o sinal da redenção, dizem. E com esta conversa safamos de todos os baixos, e eis-nos aqui a largar o ferro em frente a Massarelos.

 

Namorei-me de uma casa na margem do sul do rio - disseram-me pertencer ao Sr. Antero (que não tive a honra de conhecer) - bonita! isolada à beira do rio, assombrada de arvoredo, - é capaz de fazer poetas. Por mim declaro que se ali passasse um mês, compunha romance de trinta volumes, coisa a desbancar Sue e Dumas, - muito maior que o Judeu e que o Monte Cristo.

 

As construções navais que aparecem na outra margem, começam a dar ideia da vida que anima o Porto: uma corveta de guerra, várias embarcações mercantes, de belos cascos... de elegante mastreação... desenho, obra e madeiras portuguesas - são objectos que devem notar-se... E aqui podia eu fazer largo discurso sobre a decadência da nossa Marinha - falar em Vasco da Gama e Pero de Alenquer e Pero Nunes e.... nada, isso já está muito repisado, e eu trato de escrever uma obra inteiramente original, ou para me servir de uma expressão moderna - não quero vazar em nenhum molde o metal da minha eloquência. Agora sim, que ninguém me entendeu.

 

Vamos, largo do Ouro [o sítio dos estaleiros] - rema avante; aguenta contra a corrente, que quero ir desembarcar à RibeiraGosto mais do Douro, do que do meu pátrio Tejo. Não tem a majestade deste - é verdade - não pode acomodar a um cantinho todas as naus da Inglaterra, da França, da Rússia e da Turquia - é o mesmo; quem quer ver mar largo - bem largo - vai viajar no oceano - e eu que já o estou farto de o ver! - O Douro é estreito - bem sei - mas por isso é que eu gosto dele; tortuoso, assim é que me agrada, apraz-me o subir a qualquer eminência das suas ribas, e ver como se enrosca por entre as montanhas que lhe talharam o leito; como esbraveja às vezes contra essas margens alcantiladas... Tenho pena de não ter nascido à beira do Douro! Que caras de vender saúde tem os barqueiros - comparai-os com os enfezados do Cais do Sodré e da Ribeira Nova. Pois as mulheres de Valongo e Avintes, com aqueles elegantes tamanquinhos - sim senhor elegantes... - Ai que toquei na tecla - isto é tentação - abre nuntio!

 

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«... perguntei aonde era o castelo de Gaia, e mostraram-me na riba oposta umas ruínas ...»

 (pormenor de uma gravura de 1846)

 

A minha catraia vai passando em frente de Miragaia. Lembrou-me o romance do Sr. Garret - eu tenho queda para a poesia! - perguntei aonde era o castelo de Gaia, e mostraram-me na riba oposta umas ruínas - olhei com entusiasmo para elas! Depois espraiando de novo a vista pela extensão de Miragaia, dizia comigo mesmo: - Por aqui devia de ir passando a cavalgada de moiros, quando a bela Gaia mirou pela última vez ao seu Real amante. - E fiquei sério ao contemplar alternadamente as duas margens do rio, recordando-me também do Espetro, belo poema-romance do Sr. José Maria da Costa e Silva.

 

Não tardei porém em ser distraído. Mostraram-me a Serra do Pilar, que parecia fechar uma pequena baía, olhando da posição em que eu estava; porque o Douro torce-se aqui e acolá, como um avaro que procura esconder os seus tesouros. As ideias mudaram logo de norte; veio-me à lembrança o cerco, aquela memorável defesa; - e D. Pedro, e o General Torres, e os Polacos da Serra passaram em continência diante da minha imaginação; - porque tem isso consigo os poetas e mesmo os prosadores, vêm ante si cada vez que querem os grandes homens de todos os tempos; dos pequenos não fazem eles caso. Não fatigarei aqui o leitor com reflexões politicas morais e filosóficas; deixo isso a quem de direito pertence.

 

Já cá vou costeando o lugar de Cima de Muro; - lá está a ponte pênsil... deixa-la, outro dia a verei que tenho tempo. Estou farto de teimar na catraia contra a corrente do rio - desembarquemos aqui, ao pé da Porta Nobre. Porta Nobre! diz o letreiro que coroa um arco que dá entrada para a mais imunda rua; deverá de ser assim aquela aonde o Dante leu o imortal verso: Lasciate ogni speranza o voi ché notrateAntes porém de saltar em terra, façamos uma observação a respeito das catraias. Se tivessem a proa armada de um esporão, arremedariam sofrivelmente as gondolas de Veneza. Ainda assim as casinholas que ocupam o centro do barco são pintadas de cores variegas e não de negro - como as de Veneza, que parecem recordar ainda a polícia da Inquisição do Estado - de ominosa memória. Atraca - Aqui está uma de seis. - Passe muito bem - Viva - Estou na cidade do Porto!

 

Pois amanhã falaremos, que hoje é noite; vou procurar poisada.

 

Lancemos ainda um olhar ao Douro que está daguerreotipando as estrelas, e os muitos lampiões da cidade e de Vila Nova. - Parece que estamos em um lago da Suíça, não se enxerga nenhuma saída do rio. A bela iluminação das suas ribas fez escrever a um parvo de um estrangeiro que por ali andou, que eram tão maus os mareantes do Douro, que tinham de acender-se aquelas luzes para lhe servirem de faróis. E assim escrevem das nossas cousas todos eles! Aqui faço ponto, e estou no gosto do modernismo: não dizer nada ao primeiro capítulo para aguçar a curiosidade do leitor. Passe este como introdução, posto que tal título lhe não pusesse no cabeçalho - que no mesmo caso estão certas as leis que dizem - valerá como carta passada pela Chancelaria, posto que por ela não há-de passar.»

 

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«Eis-me aqui instalado na Rua do Almada. Começarei por notar uma singularidade da minha habitação. Alguém dirá que me estou pegando, como um cavalo manhoso, diante de qualquer ninharia; em vez de romper galhardamente como um brioso ginete, lançando miradas sobranceiras à cidade que percorre. Eu digo que quem assim falar, não tem razão - e provo. A casa de que vou tratar num relance, pode daqui a duzentos anos servir a um romancista (dos que então houver - que tais serão eles?) para teatro de uma associação eleitoral, clube diretor de uma bernarda, ou outra qualquer cena dos nossos dias, - posto que tais brincos se não tenham feito nesta; o que não impede que os futuros arqueólogos façam como os atuais - que nós por aí conhecemos a inventar patranhas, e a coloca-las conscientemente nos lugares históricos. O caso é que eu já ia fugindo de casa.

 

Pois bem, saberão os senhores e senhoras (isto é obra para ambos os sexos) que a casa onde me hospedei, e aonde fui tratado com o mais desvelado carinho pelos meus amigos os irmãos C. M. - tem apenas duas janelas de frente em cada pavimento, mas conta 250 vidros só no andar inferior. - Agora, pergunto eu - era isto ou não era uma circunstância digna de ser mencionada por um viajante? Não sou eu dos mais minucioso: lembra-me muito bem que A. Dumas na sua viagem em Sinay, menciona com muito espanto um convite que lhe fizeram ao sair do banho, posto que nada tenha de raro, e que no-lo façam todos os dias, tanto no Rossio de Lisboa, como na Praça Nova do Porto. Estava em um céu aberto naquela casa da Rua do Almada. - Cria-me em um viveiro de canários, ou em uma estufa - salvo a temperatura: - isto quanto às vidraças, que em tudo mais era como as outras. Ora pois, já viram a singularidade da casa; agora tenham a bondade de acompanhar-me, que começo a minha execução. Nous partons!

 

Desçamos à Praça Nova, ou mais modernamente - praça de D. Pedro. Eis-nos aqui na parte mais regular da cidade. As duas calçadas que partem deste lugar em direções opostas - a de Santo António e a dos Clérigos - são espaçosas, e orladas de muitos bons prédios: a primeira coroada pela bela paróquia de Santo Ildefonso; a segunda pela igreja e Torre dos Clérigos (que amizade com que eu fiquei a esta torre!) - A praça é quadrada; cercada de gradarias e assentos de ferro, assombrada de arvoredo em roda, e ornada com o palacete da Câmara Municipal; um chafariz; e o único café e bilhar decente do Porto, único cabeleireiro, e armazém de modas - tudo propriedade de Mr. GuichardHei-de visitar todos esses edifícios - igreja, torre, municipalidade e botequim... mas é necessário começar por um deles. Qual há-de ser?

 

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«O palacete é pintado de azul; a gradaria das janelas doirada»

 

A torre dos Clérigos - isso estava claro. Upa - galga arriba - que a ladeira é íngreme. Esta Calçada dos Clérigos fez-me recordar o préstito fúnebre, que ela tantas vezes presenciou, quando a Alçada transferia algum desgraçado das cadeias da Relação para o patíbulo da Praça Nova! Mas isso já lá vai - o que passou, passou; - hoje queremos esquecimento total das antigas injúrias. Os supliciados dormem há muito o seu sono eterno. Porém vivem ainda para não se olvidar, os que acompanharam alguns ao cadafalso. Um visitei eu - não havia de visitar! - Se ele é o nosso Figaro - o mais engraçado escritor em prosa e verso que esta terra tem produzido depois de Nicolau Tolentino... já se vê que falo do chistoso Barbeiro dos Pobres. Já velho e achacado, mas sempre folgazão, é o nosso homem - muito simpatizei com ele - e a quem não sucederá outro tanto? E eu divagando - como um deputado que ilude a matéria da ordem do dia. Nada - assim não vai bom. Prometo solenemente não ter mais desvios - ao menos até o fim deste capítulo.

 

Vamos a subir os 229 degraus que nos hão-de levar à última plataforma da torre dos Clérigos - ai que barulho! Pois não estão tocando os sinos!... O meu cicceroni - sineiro em chefe - manda dar tréguas aquele quebra-cabeças; e eis-me com os meus amigos C. M. gozando a vista daquele magnífico panorama. O Príncipe de Lichnwoski que viajou em Portugal em 1842 - e que de suas recordações nesta terra escreveu um livro - muito criticado por alguém, é verdade, - descreve, a meu ver, com bastante tino e elegância o painel natural que descortina o observador colocado no cimo desta torre: como não quero cingir-me à sua obra, nem à de nenhum outro autor (pois já disse que este opúsculo havia de ser inteiramente original) limitar-me-ei a dizer que me causou séria impressão o seguir com a vista a longa curva que ocupavam as linhas de defesa - notar aqui Monte Pedra, ali as Antas, acolá Bonfim, algures o Cubelo, e tantos outros lugares históricos, onde se obraram façanhas que começam a esquecer. Não me meto a descrever os horizontes que abrangia a vista, porque nada posso acrescentar ao que o diz o Príncipe alemão - apesar de muito censurado. Bem sei eu porquê!

 

Esboçarei o sineiro antes de deixar a torre. Era um homem de meia-idade, asqueroso no último ponto, e sem chiste nenhum para ciceroni - pelo demais parecia um bom homem - que são as palavras com que quase sempre termina uma descompostura a um cristão. Declarou ser sineiro depois de vinte e cinco anos. Perguntado se pegara em armas no tempo do cerco, respondeu que não, porém que subia continuamente à torre para tocar a rebate; e que durante o governo da Junta, exercera sempre o mesmo ofício, mas com menos trabalho. Perguntando mais pela altura da torre, declarou ter sessenta e três braças e meia desde a peanha da bolta até o chão (são palavras dele - que eu gosto de elucidar com textos as minhas obras) - e nada mais disse que mereça mencionar-se. A fachada da igreja dos Clérigos pobres - ou de S. Pedro de Alcântara - também prende a atenção como a torre, e como ela pertence a um género de arquitetura inclassificável.

 

Baixemos à calçada, e vamos à Câmara Municipal; é necessário não perder tempo. O palacete é pintado de azul; a gradaria das janelas doirada. No topo tem um guerreiro que sustenta as armas da cidade, e empunha uma lança. Entremos o portão; no vestíbulo há uma fonte que refresca aquele ambiente. - Subamos a escadaria, penetremos na sala das sessões - lá está a espada de D. Pedro adornando uma das paredes - ao lado do retrato de sua filha. Confesso que me comoveu aquela vista - aquele largo sabre de bainha de ferro que guiou à vitória os 7500 bravos de Arnósa!... Aí temos outra recordação intempestiva - esquecimento é que se quer.

 

Passamos à secretária, e ao arquivo da Municipalidade: o curioso de antiguidades tem aí com que se entreter. Mostrar-lhe-ão um livro em que estão pregadas algumas folhas de papel de algodão, meio dilaceradas porém cobertas de carateres antiquíssimos - é o primeiro auto de Vereação - século XIII ou XIV. O foral da cidade e o de vários lugares do distrito, adornados de belas iluminuras, aonde se conserva o brilhantismo das cores, fruto de uma arte perdida para nós; são obra do tempo de el-rei D. Manuel; e outras preciosidades. Antes de abandonar o palácio da Câmara vede a pequenina capela, e gostareis por certo dos seus adornos, posto que sejam de madeira.

 

Agora convido os leitores a virem comigo tomar café ao Guichard, um copo de marasquino e um charuto (este detestável, como são em geral os do nosso Contrato do Tavaco.) - Talvez vos incomode estar na mesma sala em que se cortam cabelos, - pois bem, passemos ao bilhar; mas, pelo amor de Deus, não desçais à casa do jogo do Loto [ou Quino como lá lhe chamam] morrereis asfixiado, e com a cabeça aturdida pelo bradar do marcador. Está tudo pago; saia-mos - Vamos a Santo Ildefonso.

 

Não. Tratarei deste templo quando me ocupar dos mais que adornam a cidade Eterna. Por agora descansemos, mesmo porque é preciso dar mate a este capítulo, que já se vai alargando muito.»

*
 
 
Ora digam lá, meus caros leitores, se mesmo não se tratando de um Camilo Castelo Branco, não são interessantes os apontamentos que se colhem das descrições deste viajante? Prosseguiremos para a semana....

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Originalmente publicado na antiga casa de A Porta Nobre, no blogspot, em 04.06.2016 e 06.06.2016

Abril 02, 2019

Um duelo que acabou num repasto e outro que não chegou a começar.

Eis uma curiosa notícia que saiu no Periódico dos Pobre no Porto, em 9 de Janeiro de 1845:

 

«Ontem às 8 da manhã teve lugar no sítio do reduto do Covelo, subúrbios desta cidade, um duelo a tiro de pistola entre os Srs. Marquês de Chardonnay e António Augusto de Passos Pimentel, alferes de infantaria 6 (…) o n.º de espectadores seria 20 pessoas, a maior parte estrangeiros, ingleses, franceses e espanhois.

Tendo chegado ao sítio apresado (sic) as duas seges em que iam os desafiados, cada um com o seu respectivo padrinho, e apeando-se os padrinhos, e à vista dos espectadores, mostrando os cartuchos com as balas, carregaram as pistolas, as entregaram aos seus afilhados, marcaram o terreno e a 20 passos de distância os contendores descarregaram!!

Nenhum ficou ferido; a pistola do Sr. Passos errou fogo, não batendo o fósforo, e ele não quis segundar, e tendo-se anteriormente convencionado que qualquer que fosse o resultado se dariam por satisfeitos, os contendores se abraçaram e tornaram para casa da mesma forma que tinham ido, dizendo o Sr. Chardonnay - ficamos amigos, sirva-nos isto de lição a ambos.

Pouco depois o Coronel Passos almoçava com a família Chardonnay em casa desta por convite desta senhora. – o motivo desta estranha pendência foram certas ocorrências desagradáveis que em uma das noites passadas tiveram lugar numa soirée, e na presença de algumas famílias respeitáveis que ali se achavam.

O Sr. Chardonnay aceitou o desafio que lhe propôs o sr, António Augusto, e lhe deixou a escolha de armas.»

 

Daqui, deste nosso imberbe recanto do século XXI, estas pequenas notícias permitem-nos abrir uma acanhada vidraça colorida para aquele século que se escreve com as mesmas letras mas numa ordem diferente. E embora não seja relevante para a história da cidade, o pitoresco dela torna-a, a meu ver, minimamente interessante.

 

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Igualmente refiro, também por curiosidade e porque o tema é o mesmo, que neste mesmo volume do periódico, em 23 de janeiro, surge um outro duelo em que foi desafiado nada mais nada menos do que o futuro Barão de Forrester. Eis a descrição daquele jornal:

 

«Duelo Malogrado

Consta-nos que no Sábado se malograra um duelo entre o Sr. José James Forrester, e o Sr.  Wright, ambos súbditos britânicos. Houve quem denunciasse as intenções dos dous cavalheiros: o cônsul procurou dissuadi-los, mas debalde; então foi informado o Sr. juiz da Policia Correcional do acontecimento que ia ter lugar, e este magistrado deu logo as providencias de forma, que às 7 horas da manhã foram ambos presos, no momento em que saíam de suas casas para o lugar do combate.

A questão dos vinhos do Douro parece haver sido a causa da desavença.»

(NOTA: O PPP informa que extraíra esta notícia do seu concorrente, A Coalisão).

 

Estaria esta "questão" relacionada com o trabalho apresentado de forma anónima por Joseph James Forrester no ano anterior, onde este criticava os que adulteravam o vinho? Fosse essa razão qual fosse, ainda bem que este duelo não teve lugar, pois dessa forma a sua vida poderia ter sido interrompida aos 36 anos de idade. Não sei se este acontecimento da vida de tão distinta personalidade será conhecido. Mas aqui fica registada, para que possa pelo menos figurar como uma nota de rodapé num possível trabalho biográfico sobre este distinto inglês que tanto amou o Douro e que por ironia do destino por ele foi morto.

 

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Publicado originalmente n' A Porta Nobre (blogspot) em 08.11.2013 e 11.06.2016 : a imagem é meramente ilustrativa.